Primavera começa em 22 de setembro: o fenômeno que muda o céu do Brasil

Atualizado em 15 de setembro de 2026

Faltam poucos dias para uma mudança que acontece todos os anos, mas que pouca gente consegue explicar corretamente.

No Brasil, a primavera de 2026 começa oficialmente em 22 de setembro, às 21h05, pelo horário de Brasília. O momento exato é determinado por um fenômeno astronômico chamado equinócio.

A chegada da primavera não acontece simplesmente porque “o clima esquenta” ou porque as flores começam a aparecer.

Existe uma explicação astronômica bastante precisa por trás da mudança das estações.

E há um detalhe curioso: a primavera não começa necessariamente no mesmo dia todos os anos.

Em alguns anos, o equinócio ocorre em 22 de setembro; em outros, pode acontecer no dia 23. Isso ocorre por causa da diferença entre a duração do ano do calendário e os ciclos astronômicos da Terra.

Mas o que exatamente acontece às 21h05 do dia 22?

O que acontece quando começa a primavera?

O início astronômico da primavera acontece no instante em que a Terra alcança uma posição específica em sua órbita ao redor do Sol.

No equinócio de setembro, o Sol cruza o equador celeste em direção ao sul.

No Hemisfério Sul, esse momento marca o início da primavera.

No Hemisfério Norte, o mesmo instante marca o início do outono.

Portanto, não existe um “Sol diferente” começando a primavera.

O que muda é a posição da Terra em relação ao Sol e a forma como a luz solar atinge os diferentes hemisférios.

É a geometria do Sistema Solar que determina a mudança.

Por que existem as estações do ano?

A explicação começa com uma característica fundamental da Terra:

o eixo de rotação do planeta é inclinado.

A Terra não gira em torno do Sol completamente “reta”.

Seu eixo apresenta uma inclinação em relação ao plano de sua órbita.

Enquanto o planeta percorre sua trajetória ao redor do Sol, essa inclinação faz com que diferentes regiões recebam quantidades diferentes de iluminação ao longo do ano.

Quando um hemisfério recebe os raios solares mais diretamente e durante mais tempo, tende a entrar em uma estação mais quente.

Quando recebe menos iluminação direta e tem períodos menores de luz, ocorre o contrário.

É por isso que as estações do Hemisfério Sul são diferentes das do Hemisfério Norte.

Quando é primavera no Brasil, por exemplo, é outono em grande parte da Europa e da América do Norte.

O que significa a palavra equinócio?

A palavra está relacionada à ideia de noite igual ao dia.

Isso ajuda a entender o fenômeno, mas existe uma pequena pegadinha.

É comum dizer que durante o equinócio o dia e a noite têm exatamente 12 horas cada.

Na prática, isso não acontece de forma perfeitamente igual em todos os lugares.

A atmosfera terrestre interfere na forma como enxergamos o nascer e o pôr do Sol, e o próprio tamanho aparente do disco solar também precisa ser considerado.

Por isso, o equinócio é melhor entendido como um instante astronômico específico relacionado à posição do Sol em relação ao equador celeste, e não simplesmente como um dia em que existem exatamente 12 horas de luz e 12 horas de escuridão.

Por que a primavera de 2026 começa no dia 22?

Essa é uma das perguntas mais interessantes.

O calendário que usamos possui anos de 365 dias e, ocasionalmente, 366 dias.

Mas o movimento da Terra não se encaixa perfeitamente nessa divisão.

O chamado ano trópico, utilizado para acompanhar o ciclo das estações, não possui exatamente 365 dias inteiros.

Por isso, pequenas diferenças vão se acumulando.

O calendário gregoriano utiliza anos bissextos para corrigir parte dessa diferença.

Mesmo assim, o instante exato de um equinócio pode variar.

O Observatório Nacional explica que essa diferença faz com que o início de uma estação possa ocorrer próximo ao mesmo horário de quatro anos antes ou depois, mas não necessariamente no mesmo dia do calendário.

A primavera começa ao mesmo tempo no Brasil inteiro?

Astronomicamente, existe um único instante para o fenômeno.

Em 2026, ele ocorre às 21h05 no horário de Brasília.

Mas isso não significa que todas as cidades brasileiras terão exatamente as mesmas condições de iluminação.

O Brasil possui diferentes regiões e características geográficas.

Além disso, o horário local pode variar conforme o fuso considerado.

Por isso, quando falamos do horário oficial divulgado pelo Observatório Nacional, estamos utilizando a referência do horário legal de Brasília.

Uma das coisas mais curiosas acontece no horizonte

Existe uma maneira interessante de observar o equinócio sem precisar de telescópio.

Perto dos equinócios, o Sol nasce aproximadamente na direção leste e se põe aproximadamente na direção oeste.

O Observatório Nacional destaca justamente essa característica ao explicar a relação entre os equinócios, os pontos cardeais e o movimento aparente do Sol no céu.

Isso significa que o fenômeno pode ser transformado em uma experiência simples.

Escolha um ponto onde seja possível observar o horizonte.

Registre onde o Sol nasce.

Depois faça o mesmo em diferentes épocas do ano.

A posição do nascer e do pôr do Sol vai mudando gradualmente.

O Sol não nasce sempre exatamente no mesmo lugar

Essa é uma curiosidade que muita gente percebe sem saber a explicação.

Se você observar o nascer do Sol durante vários meses, perceberá que ele não aparece exatamente no mesmo ponto do horizonte.

Durante o ano, o ponto do nascer do Sol se desloca para um lado e para o outro.

O mesmo acontece com o pôr do Sol.

Esse movimento aparente está relacionado à inclinação do eixo terrestre e à translação da Terra ao redor do Sol.

Nos equinócios, o Sol está próximo do alinhamento com o equador celeste, fazendo com que o nascimento e o ocaso ocorram aproximadamente nos pontos cardeais leste e oeste.

O que muda depois de 22 de setembro?

Depois do equinócio de setembro, o Hemisfério Sul começa a receber cada vez mais tempo de iluminação ao longo do dia.

No Brasil, os dias vão gradualmente ficando mais longos e as noites, mais curtas.

Esse processo continua até o solstício de verão.

Em 2026, o verão começa em 21 de dezembro.

Isso não significa que todas as cidades brasileiras ficarão imediatamente quentes.

O clima depende de vários outros fatores.

Uma estação astronômica é determinada pela posição da Terra em relação ao Sol.

Já o clima de uma região envolve circulação atmosférica, massas de ar, oceanos, relevo, umidade e diversos outros fatores.

Primavera não significa calor em todo lugar

Existe uma ideia comum de que o primeiro dia da primavera deveria trazer imediatamente temperaturas altas.

Não é assim que funciona.

A estação astronômica começa em um instante específico, mas a atmosfera não muda de comportamento de forma instantânea.

Uma frente fria pode atingir determinada região depois do início da primavera.

Outra região pode apresentar temperaturas elevadas antes mesmo do equinócio.

Por isso, estação astronômica e comportamento do tempo são coisas diferentes.

Essa distinção é especialmente importante em um país de dimensões continentais como o Brasil.

Por que as flores aparecem na primavera?

A associação entre primavera e flores não surgiu por acaso.

A quantidade de luz disponível, a temperatura e a disponibilidade de água influenciam o desenvolvimento de muitas plantas.

Algumas espécies respondem ao aumento da duração do dia.

Outras respondem principalmente à temperatura ou às condições de umidade.

Por isso, o “despertar” da natureza observado em determinadas regiões não acontece exatamente da mesma maneira em todo o planeta.

O que parece uma transformação instantânea é, na realidade, resultado de processos biológicos que respondem às mudanças ambientais.

E os animais também percebem a mudança?

Sim.

A variação da duração dos dias pode funcionar como um sinal ambiental para diferentes espécies.

Mudanças na luminosidade podem influenciar ciclos biológicos, comportamento e reprodução de determinados animais.

O fenômeno não significa que todos os animais mudem de comportamento exatamente no dia do equinócio.

Na natureza, as respostas variam conforme a espécie e o ambiente.

Ainda assim, a alteração gradual da quantidade de luz ao longo do ano é um dos sinais ambientais importantes para diversos organismos.

Existe primavera em outros planetas?

Essa pergunta fica ainda mais interessante quando pensamos no Sistema Solar.

A Terra possui estações porque seu eixo é inclinado e porque o planeta percorre uma órbita ao redor do Sol.

Outros planetas também apresentam inclinações de eixo e órbitas diferentes.

Por isso, alguns possuem variações sazonais.

Mas as estações não são iguais às da Terra.

Em Marte, por exemplo, existem estações porque seu eixo também é inclinado.

Como o ano marciano é muito mais longo que o terrestre, as estações também duram mais tempo.

Já Vênus possui uma inclinação muito pequena em relação ao seu eixo, além de outras características orbitais que fazem suas variações sazonais serem muito diferentes das nossas.

Ou seja:

“primavera” é um conceito relacionado à geometria orbital de um planeta, não uma característica exclusiva da Terra.

Por que a data das estações pode parecer estranha?

Quem olha apenas para o calendário pode imaginar que uma estação sempre deveria começar no mesmo dia.

Mas o calendário é uma convenção humana criada para organizar o tempo.

A astronomia precisa acompanhar movimentos que não se encaixam perfeitamente em números inteiros de dias.

É por isso que o instante exato das estações pode mudar.

Em 2026, por exemplo, o equinócio da primavera no Brasil acontece em 22 de setembro às 21h05.

Em outro ano, a data poderá ser diferente.

O que acontece no céu depois da primavera começar?

A primavera também marca uma mudança gradual no céu noturno.

Ao longo da estação, diferentes constelações e objetos celestes ficam mais favoráveis à observação em determinados horários.

Isso acontece porque, enquanto a Terra percorre sua órbita, o lado noturno do planeta passa a apontar para regiões diferentes do espaço.

Por isso, o céu observado durante uma noite de setembro não é exatamente igual ao céu observado durante uma noite de dezembro.

A mudança das estações, portanto, também é uma mudança gradual no nosso “cenário” astronômico.

O equinócio é um evento que podemos observar?

Sim, mas existe uma diferença importante.

Não veremos o equinócio como vemos um eclipse.

Não haverá uma mudança repentina no céu às 21h05.

O equinócio é o momento exato de uma configuração geométrica entre a Terra e o Sol.

A melhor maneira de perceber seus efeitos é observar fenômenos que mudam gradualmente ao redor dessa data.

O nascer e o pôr do Sol são excelentes exemplos.

Também é possível acompanhar a duração dos dias.

Uma experiência simples para fazer em casa

Quer transformar a chegada da primavera em um pequeno experimento?

Você pode fazer isso sem telescópio.

Escolha um ponto fixo com boa visão do horizonte.

Pode ser uma janela, uma varanda ou um local aberto.

No dia do equinócio, observe a posição aproximada onde o Sol nasce ou se põe.

Tire uma fotografia.

Depois repita o registro algumas semanas mais tarde.

Mantenha o mesmo ponto de observação.

Ao comparar as imagens, será possível perceber que o Sol não nasce e se põe exatamente no mesmo lugar ao longo do ano.

É uma maneira simples de visualizar a mecânica celeste.

A primavera começa no relógio, mas não na paisagem

Talvez essa seja a melhor maneira de entender o fenômeno.

Às 21h05 de 22 de setembro, ocorre o instante astronômico que marca a chegada da primavera no Hemisfério Sul.

Mas a natureza não recebe um sinal para mudar instantaneamente.

As plantas respondem gradualmente.

Os animais respondem a sinais ambientais.

As temperaturas variam.

As chuvas mudam.

O comprimento dos dias aumenta.

O céu noturno se transforma lentamente.

A primavera é, portanto, tanto um evento astronômico preciso quanto uma transição gradual observável na natureza.

A data para guardar no calendário

Para quem está no Brasil, a informação principal é simples:

🌸 Primavera de 2026: 22 de setembro, às 21h05 (horário de Brasília).

Esse é o momento do equinócio que marca o fim do inverno e o início astronômico da primavera no Hemisfério Sul.

Mas, se você olhar para o céu, perceberá algo ainda mais interessante.

A mudança já está acontecendo aos poucos.

O Sol muda sua posição aparente no horizonte.

Os dias vão ficando mais longos.

As noites vão diminuindo.

E, enquanto isso acontece, a Terra continua sua viagem ao redor do Sol.

A primavera não chega porque o calendário decidiu.

O calendário apenas registra um movimento que a Terra já está fazendo há bilhões de anos.


🌎 10 curiosidades sobre o equinócio

1. O equinócio acontece duas vezes por ano.

2. No Hemisfério Sul, o equinócio de setembro marca a primavera.

3. No Hemisfério Norte, o mesmo evento marca o outono.

4. Em 2026, o equinócio acontece em 22 de setembro, às 21h05 no horário de Brasília.

5. O Sol nasce aproximadamente no leste durante o equinócio.

6. O Sol se põe aproximadamente no oeste.

7. A data do equinócio pode variar de um ano para outro.

8. A inclinação do eixo terrestre é fundamental para a existência das estações.

9. Os dias começam a ficar progressivamente mais longos no Hemisfério Sul após o equinócio de setembro.

10. O fenômeno acontece em um instante específico, mas suas consequências sobre a duração dos dias são graduais.

Fonte principal

Observatório Nacional, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

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