Durante muito tempo, falar sobre a camada de ozônio significava falar sobre uma ameaça ambiental global.
Nos anos 1980, cientistas identificaram uma redução preocupante do ozônio estratosférico, especialmente sobre a Antártida. A descoberta levou a uma mobilização internacional que resultou em um dos mais importantes acordos ambientais da história: o Protocolo de Montreal.
Quase quatro décadas depois, uma notícia chama atenção.
A Organização Meteorológica Mundial divulgou nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, uma nova atualização sobre a situação do ozônio. Segundo o boletim, o buraco de ozônio sobre a Antártida em 2025 esteve entre os menores registrados nas últimas décadas. Sua intensidade ficou significativamente abaixo da média observada entre 1990 e 2010.
Isso significa que o problema acabou?
Não.
Mas significa que existe uma evidência importante de que as medidas adotadas internacionalmente estão produzindo resultados.
E a história por trás dessa recuperação é uma das mais interessantes da ciência moderna.
O que exatamente é a camada de ozônio?
Antes de entender por que ela está se recuperando, é preciso entender o que ela faz.
O ozônio é uma molécula formada por três átomos de oxigênio: O₃.
Embora exista ozônio em diferentes regiões da atmosfera, a maior parte do ozônio atmosférico está concentrada na estratosfera, aproximadamente entre 10 e 50 quilômetros acima da superfície terrestre.
Essa região desempenha uma função fundamental.
Ela absorve grande parte da radiação ultravioleta nociva emitida pelo Sol.
Isso ajuda a proteger seres humanos, animais, plantas e ecossistemas.
Sem essa proteção, determinados tipos de radiação ultravioleta chegariam à superfície em níveis muito maiores.
Por isso, a camada de ozônio não é apenas um conceito abstrato usado em relatórios ambientais.
Ela funciona como uma espécie de escudo natural do planeta.
Então o “buraco” é realmente um buraco?
Não exatamente.
Essa é uma das maiores confusões sobre o assunto.
Quando cientistas falam em buraco de ozônio, não estão descrevendo uma abertura física na atmosfera.
O termo se refere a uma região em que a concentração de ozônio fica muito reduzida em comparação com os níveis considerados normais.
O fenômeno é especialmente intenso sobre a Antártida durante a primavera do Hemisfério Sul.
Portanto, não existe uma espécie de buraco através do qual seja possível “ver o espaço”.
Existe uma redução muito significativa da concentração de ozônio em determinada região da estratosfera.
Por que o buraco aparece sobre a Antártida?
A formação do buraco de ozônio antártico está relacionada a condições atmosféricas bastante específicas.
Durante o inverno antártico, temperaturas extremamente baixas favorecem a formação de nuvens estratosféricas polares.
Essas nuvens participam de processos químicos que transformam substâncias presentes na atmosfera em formas capazes de destruir ozônio quando a luz solar retorna na primavera.
Quando o Sol volta a iluminar a região depois do inverno, uma série de reações químicas pode acelerar a destruição do ozônio.
É por isso que o fenômeno possui uma forte característica sazonal.
Ele não acontece simplesmente porque “há menos ozônio no inverno”.
A dinâmica envolve temperatura, circulação atmosférica, luz solar e química estratosférica.
O que destruiu tanto ozônio?
A resposta está principalmente em determinadas substâncias químicas produzidas pela atividade humana.
Entre elas estavam os clorofluorcarbonos, conhecidos pela sigla CFCs.
Essas substâncias foram utilizadas durante décadas em diferentes aplicações industriais e comerciais, incluindo sistemas de refrigeração e outros produtos.
O problema é que os CFCs são extremamente estáveis perto da superfície.
Isso permite que eles alcancem grandes altitudes.
Na estratosfera, a radiação ultravioleta pode quebrar essas moléculas e liberar átomos de cloro.
O cloro pode então participar de reações químicas que destroem moléculas de ozônio.
E existe uma característica impressionante nesse processo:
um único átomo de cloro pode participar de muitas reações antes de ser removido da atmosfera.
O mundo percebeu o problema antes que ele se tornasse ainda maior
A descoberta da redução do ozônio levou a uma resposta internacional relativamente rápida.
Em 1987, países assinaram o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio.
O acordo estabeleceu medidas para reduzir e eliminar gradualmente a produção e o consumo de diversas substâncias responsáveis pela destruição do ozônio.
O dia 16 de setembro foi escolhido posteriormente pelas Nações Unidas como o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio justamente para marcar a assinatura do protocolo em 1987.
É por isso que a data de hoje tem um significado especial.
O Protocolo de Montreal realmente funcionou?
Os dados atuais indicam que sim.
A Organização Meteorológica Mundial afirma que a camada de ozônio está seguindo uma trajetória de recuperação de longo prazo, embora existam variações de ano para ano.
O boletim publicado em 16 de setembro de 2026 mostra que o buraco de ozônio antártico de 2025 foi o quarto ou quinto menor desde o período em que os padrões severos de destruição passaram a ser observados, a partir de 1992.
O resultado é ainda mais interessante porque não se trata de um único ano isolado.
Segundo a OMM, 2025 foi o segundo ano consecutivo em que tanto a profundidade quanto a extensão do buraco ficaram significativamente abaixo da média de 1990–2010.
Isso não significa que todos os anos serão iguais.
Existe variabilidade natural.
Mas a tendência de longo prazo é compatível com a recuperação esperada após a redução das substâncias destruidoras do ozônio.
O buraco de 2025 foi o menor da história?
Não.
Esse é um ponto importante.
A Organização Meteorológica Mundial classificou o buraco de 2025 entre os menores das últimas décadas, mas isso não significa que tenha sido o menor desde o início das medições.
A classificação divulgada foi de quarto a quinto menor desde 1992, período usado como referência para os padrões severos de destruição.
Portanto, a informação correta é:
2025 apresentou um dos menores buracos de ozônio das últimas décadas.
Não é correto transformar isso em “o menor buraco já registrado”.
Então podemos dizer que a camada de ozônio está se recuperando?
Sim, com uma ressalva importante.
A recuperação é uma tendência de longo prazo, não uma mudança que acontece de um ano para o outro.
A OMM destaca que existem flutuações anuais relacionadas às condições meteorológicas e ao transporte atmosférico.
Um ano pode apresentar um buraco menor.
Outro pode apresentar um buraco maior.
Isso não significa necessariamente que a recuperação tenha parado ou voltado para trás.
É semelhante a observar uma estrada em uma longa viagem.
O veículo pode subir e descer pequenas inclinações sem deixar de avançar na direção geral.
Na atmosfera, as variações anuais fazem parte do sistema.
Por que o clima influencia o tamanho do buraco?
Porque a destruição do ozônio não depende somente da quantidade de substâncias químicas presentes.
A atmosfera também importa.
A circulação de ar na estratosfera, a temperatura e as condições meteorológicas podem alterar a intensidade e a duração do processo de destruição.
A OMM destaca que as flutuações de um ano para outro são influenciadas por condições meteorológicas de grande escala que controlam o transporte atmosférico e os processos associados à destruição do ozônio durante a primavera antártica.
Por isso, os cientistas precisam observar o sistema durante muitos anos.
Uma fotografia isolada não é suficiente.
E o que aconteceu em 2025?
Segundo a OMM, o ciclo de destruição de ozônio em 2025 começou de maneira relativamente normal em meados de julho.
Houve um início relativamente precoce da destruição no final de agosto.
As maiores taxas de redução foram observadas no início de setembro, antes do período em que normalmente ocorrem os picos.
Depois, os valores de outubro ficaram bem abaixo da faixa histórica de referência de 1990–2010.
O resultado final foi um buraco consideravelmente menos intenso do que a média histórica usada para comparação.
O que isso tem a ver com o Brasil?
A conexão existe, mas precisa ser entendida corretamente.
O buraco de ozônio antártico ocorre principalmente sobre a região polar e não significa que o Brasil esteja diretamente “debaixo do buraco”.
Além disso, o comportamento do ozônio varia geograficamente.
A função da camada de ozônio é global, mas sua distribuição e suas variações não são iguais em todas as regiões.
Para o Brasil, uma questão particularmente importante é a exposição à radiação ultravioleta.
Mesmo sem estar diretamente sob o buraco antártico, a população brasileira recebe radiação UV e precisa de proteção adequada.
O próprio boletim da OMM reforça que a radiação ultravioleta continua sendo uma ameaça à saúde, mesmo com a recuperação do ozônio.
Recuperação da camada de ozônio não significa menos protetor solar
Esse é um dos erros que podem surgir quando uma notícia positiva é simplificada demais.
Se a camada de ozônio está se recuperando, isso não significa que a radiação ultravioleta deixou de ser perigosa.
A OMM afirma explicitamente que a radiação UV continua sendo uma ameaça à saúde.
A recuperação da camada significa que a proteção atmosférica está melhorando em escala global e de longo prazo.
Não significa que as pessoas possam ignorar a exposição solar.
Horário de exposição, intensidade da radiação, latitude, estação do ano, altitude e outros fatores continuam importantes.
O que mudou nos aparelhos de ar-condicionado?
Aqui a história da camada de ozônio encontra outro problema ambiental.
Muitos sistemas de refrigeração historicamente utilizaram substâncias que contribuíam para a destruição do ozônio.
Com a implementação do Protocolo de Montreal, essas substâncias começaram a ser eliminadas ou substituídas.
Mas surgiu outro desafio.
Algumas das alternativas utilizadas para substituir os CFCs não destruíam o ozônio da mesma maneira, porém apresentavam elevado potencial de aquecimento global.
Foi nesse contexto que surgiu a Emenda de Kigali.
O que é a Emenda de Kigali?
A Emenda de Kigali foi adotada em 2016 como uma extensão importante do trabalho iniciado pelo Protocolo de Montreal.
Ela trata principalmente da redução gradual dos hidrofluorcarbonos (HFCs).
Os HFCs não são os principais responsáveis pela destruição do ozônio, mas muitos possuem alto potencial de aquecimento global.
A ideia é reduzir progressivamente seu uso e incentivar alternativas mais eficientes e ambientalmente adequadas.
Em 2026, a Emenda de Kigali completa dez anos.
Por isso, o tema escolhido para o Dia Mundial do Ozônio deste ano é “Ação global por um planeta mais fresco”, celebrando uma década de resfriamento sustentável sob a Emenda de Kigali.
A camada de ozônio e a mudança climática estão relacionadas?
Sim, mas não são exatamente o mesmo problema.
A destruição da camada de ozônio é principalmente um problema químico atmosférico relacionado a determinadas substâncias.
A mudança climática envolve o aumento da concentração de gases de efeito estufa e alterações no sistema climático.
Mas existe uma conexão.
Algumas substâncias que destroem o ozônio também são gases de efeito estufa.
Além disso, determinadas alternativas aos CFCs possuem forte potencial de aquecimento global.
Por isso, políticas que tratam de refrigerantes podem produzir benefícios tanto para o ozônio quanto para o clima.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente destaca justamente essa ligação ao apresentar o Protocolo de Montreal como uma iniciativa que contribuiu para proteger a camada de ozônio e, ao mesmo tempo, trouxe benefícios climáticos.
Quanto a Emenda de Kigali pode ajudar o clima?
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente informa que a implementação completa da Emenda de Kigali poderia evitar até 0,5°C de aquecimento global até o final do século.
O mesmo material destaca que o benefício pode ser ainda maior quando a redução dos HFCs é combinada com equipamentos de refrigeração mais eficientes energeticamente.
Esse número é uma estimativa associada à implementação integral da emenda.
Não significa que a temperatura global cairá 0,5°C.
Significa que uma quantidade de aquecimento futuro poderia ser evitada em comparação com um cenário sem essa ação.
Por que o ar-condicionado entrou nessa história?
Porque o setor de refrigeração é diretamente afetado pelas substâncias controladas pelo Protocolo de Montreal e pela Emenda de Kigali.
Geladeiras.
Ares-condicionados.
Sistemas comerciais de refrigeração.
Equipamentos industriais.
Todos dependem de tecnologias capazes de transferir calor.
Os fluidos refrigerantes utilizados nesses equipamentos são uma parte importante da discussão ambiental.
Por isso, quando o mundo fala em “resfriamento sustentável”, não está falando simplesmente sobre diminuir a temperatura de uma sala.
Está falando sobre produzir frio com equipamentos eficientes e fluidos refrigerantes que causem menos danos ambientais.
Existe uma ironia nessa história
Quanto mais quente fica o planeta, maior tende a ser a necessidade de refrigeração em muitas regiões.
Mas aumentar indiscriminadamente o uso de equipamentos ineficientes pode elevar o consumo de energia e a demanda por determinados refrigerantes.
Isso cria um desafio.
O mundo precisa de mais acesso ao resfriamento para proteger pessoas contra calor extremo, conservar alimentos, manter medicamentos e sustentar atividades econômicas.
Ao mesmo tempo, precisa fazer isso com tecnologias mais eficientes e com menor impacto ambiental.
É exatamente esse desafio que está no centro da campanha de 2026 do Dia Mundial do Ozônio.
O Protocolo de Montreal é um caso raro de cooperação global
A história também chama atenção porque envolve praticamente todos os países.
O acordo não ficou restrito a uma região ou a um pequeno grupo de nações.
A cooperação internacional permitiu reduzir a produção e o consumo de diversas substâncias que destruíam o ozônio.
O Secretariado do Ozônio da ONU afirma que o protocolo alcançou seus objetivos e que a camada de ozônio está a caminho da recuperação.
A experiência é frequentemente utilizada como exemplo de como ciência, políticas públicas, indústria e cooperação internacional podem trabalhar conjuntamente.
Mas isso não significa que todos os problemas ambientais sejam igualmente fáceis de resolver.
A recuperação do ozônio levou décadas.
E continua exigindo monitoramento.
Por que ainda precisamos monitorar o ozônio?
Porque a atmosfera é dinâmica.
Mesmo depois da redução das substâncias destruidoras, elas não desaparecem instantaneamente.
Muitas permanecem por longos períodos na atmosfera.
Além disso, novos desafios podem surgir.
A OMM mantém redes de observação atmosférica para acompanhar as concentrações de ozônio e outras substâncias relevantes.
Esses dados permitem detectar mudanças e verificar se a recuperação está seguindo o caminho esperado.
Sem monitoramento, seria muito mais difícil saber se as políticas adotadas estão funcionando.
Satélites são suficientes?
Não.
Satélites são extremamente importantes para acompanhar a atmosfera, mas não são a única fonte de informação.
A OMM destaca a importância de medições de alta qualidade realizadas em solo.
A rede Global Atmosphere Watch fornece observações fundamentais para acompanhar a coluna total de ozônio e entender mudanças de longo prazo.
Isso significa que os cientistas combinam diferentes tipos de dados.
Satélites.
Estações terrestres.
Instrumentos atmosféricos.
Modelos.
Observações meteorológicas.
Quanto mais fontes independentes apontam para o mesmo comportamento, maior é a capacidade de compreender o fenômeno.
O que aconteceria se o Protocolo de Montreal não existisse?
Essa pergunta ajuda a dimensionar a importância do acordo.
Modelos científicos indicam que, sem o controle das substâncias destruidoras do ozônio, a deterioração da camada teria sido muito maior.
O acordo evitou uma evolução que poderia produzir consequências muito mais graves para a exposição à radiação ultravioleta.
A própria história do protocolo mostra que a redução dessas substâncias estabilizou a concentração de compostos destruidores e colocou a camada em trajetória de recuperação.
Portanto, a notícia de 2026 não é simplesmente “o buraco diminuiu”.
Ela é o resultado de décadas de ações que começaram quando o problema ainda estava crescendo.
Por que a recuperação demora tanto?
Porque a atmosfera não funciona como uma máquina que pode ser desligada imediatamente.
Quando uma substância química é liberada, ela pode permanecer durante anos ou décadas antes de desaparecer completamente.
Mesmo depois que sua produção é reduzida, parte do material continua presente na atmosfera.
Por isso, existe um intervalo entre:
parar de produzir → reduzir a concentração atmosférica → diminuir os danos → iniciar a recuperação.
Esse processo leva tempo.
A recuperação atual é, portanto, consequência de políticas adotadas décadas atrás.
Isso significa que podemos considerar o problema resolvido?
Ainda não.
A OMM fala em recuperação de longo prazo, mas também destaca desafios e variações anuais.
Além disso, os países precisam continuar cumprindo as obrigações do Protocolo de Montreal.
Novos compostos e novas fontes de emissão precisam ser monitorados.
E a transição para tecnologias de refrigeração mais sustentáveis continua sendo necessária.
A recuperação não significa que a fiscalização pode parar.
Pelo contrário.
Ela demonstra a importância de manter as medidas funcionando.
O que pode atrapalhar a recuperação?
Existem diferentes fatores que precisam ser acompanhados.
Emissões ilegais ou inesperadas de substâncias controladas podem comprometer o progresso.
Mudanças na circulação atmosférica também podem alterar o comportamento do ozônio em determinados anos.
Além disso, novas tecnologias podem trazer desafios inesperados.
Por isso, a ciência continua monitorando a composição da atmosfera.
A OMM ressalta que o monitoramento atmosférico permanece essencial para orientar políticas públicas.
O que a notícia de hoje realmente significa?
A mensagem mais importante é relativamente simples.
A camada de ozônio não está “curada” de uma hora para outra.
Mas existem evidências de uma recuperação gradual.
O buraco de ozônio antártico de 2025 esteve entre os menores das últimas décadas.
Isso aconteceu dentro de uma tendência de longo prazo associada à redução das substâncias destruidoras do ozônio.
Ao mesmo tempo, a radiação UV continua sendo um risco e a atmosfera precisa continuar sendo monitorada.
Ou seja:
há motivo para comemorar, mas não para abandonar a vigilância.
A história começou com um problema invisível
Talvez essa seja a parte mais impressionante.
A maioria das pessoas não consegue perceber diretamente uma redução de ozônio na estratosfera.
Não existe um cheiro específico.
Não existe uma mudança visível no céu anunciando que determinada quantidade de ozônio desapareceu.
Os cientistas precisaram de instrumentos, medições e modelos para identificar o problema.
E depois precisaram convencer governos e indústrias de que era necessário mudar.
O resultado foi uma transformação tecnológica e industrial que levou décadas.
Hoje, os dados atmosféricos mostram sinais de recuperação.
É um exemplo raro de um problema global invisível que foi detectado pela ciência, enfrentado por políticas internacionais e agora apresenta sinais mensuráveis de melhora.
O detalhe que muita gente não sabe sobre o Dia do Ozônio
A data não foi escolhida aleatoriamente.
O dia 16 de setembro marca a assinatura do Protocolo de Montreal em 1987.
Em 1994, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu oficialmente a data como o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio.
Por isso, a coincidência deste ano é particularmente interessante.
No próprio dia em que o mundo celebra o acordo, a OMM publicou uma atualização mostrando um dos menores buracos de ozônio das últimas décadas.
É quase como se a data reunisse passado e presente na mesma notícia.
O que vem pela frente?
A expectativa científica é de continuidade da recuperação ao longo das próximas décadas, desde que as medidas de proteção sejam mantidas.
A recuperação não acontece de maneira instantânea e não elimina a necessidade de acompanhamento.
Mas o cenário atual é muito diferente daquele observado quando o problema foi descoberto.
Hoje existe um tratado internacional consolidado.
Existe monitoramento científico.
Existem alternativas tecnológicas.
Existe uma estrutura internacional para acompanhar o cumprimento das regras.
E existe uma evidência cada vez maior de que essas medidas tiveram efeito.
A grande lição da camada de ozônio
A história da camada de ozônio mostra algo que costuma ser esquecido quando se fala de problemas ambientais.
Nem toda crise ambiental possui apenas uma trajetória de piora.
Alguns problemas podem ser enfrentados.
Mas isso exige identificação científica, políticas públicas, mudanças tecnológicas, cooperação internacional e tempo.
A recuperação observada hoje não aconteceu por acaso.
Ela é consequência de decisões tomadas décadas atrás.
E a notícia divulgada pela OMM em 16 de setembro de 2026 oferece um indicador concreto de que essas decisões produziram resultados.
O buraco de ozônio de 2025 foi um dos menores das últimas décadas.
A camada está em trajetória de recuperação.
Mas o trabalho ainda não terminou.
A radiação ultravioleta continua sendo uma ameaça.
O monitoramento continua necessário.
E a transição para sistemas de refrigeração mais eficientes e sustentáveis se tornou parte importante da próxima etapa.
Uma notícia positiva que precisa ser entendida corretamente
Talvez a melhor maneira de resumir tudo seja esta:
a camada de ozônio está se recuperando, mas não porque o problema desapareceu sozinho.
Ela está se recuperando porque o mundo identificou uma ameaça, reduziu as substâncias responsáveis por ela e manteve políticas internacionais durante décadas.
O resultado aparece agora nos dados.
O buraco antártico de 2025 foi um dos menores das últimas décadas.
E justamente hoje, 16 de setembro de 2026, o mundo celebra o acordo que ajudou a tornar essa recuperação possível.
É uma história que começou com uma ameaça invisível e chegou a um resultado que pode ser medido.
E talvez essa seja uma das maiores curiosidades de todas:
uma mudança que acontece a dezenas de quilômetros acima das nossas cabeças pode revelar o resultado de decisões tomadas por pessoas em diferentes países décadas atrás.
Perguntas frequentes
A camada de ozônio está se recuperando?
Sim. A Organização Meteorológica Mundial aponta uma tendência de recuperação de longo prazo, embora existam variações de um ano para outro.
O buraco de ozônio desapareceu?
Não. O buraco continua ocorrendo sazonalmente sobre a Antártida. A novidade é que o episódio de 2025 esteve entre os menores das últimas décadas.
O que causou o buraco de ozônio?
A destruição foi causada principalmente por substâncias produzidas pelo ser humano, como CFCs e outras substâncias que liberam compostos capazes de destruir ozônio na estratosfera.
O que é o Protocolo de Montreal?
É um acordo internacional de 1987 criado para controlar e eliminar gradualmente substâncias que destroem a camada de ozônio. O acordo é considerado fundamental para colocar o ozônio em trajetória de recuperação.
Por que 16 de setembro é o Dia do Ozônio?
Porque a data marca a assinatura do Protocolo de Montreal em 16 de setembro de 1987. A ONU estabeleceu posteriormente o dia como a data internacional de preservação da camada de ozônio.
O que foi o resultado mais recente divulgado pela OMM?
O boletim publicado em 16 de setembro de 2026 informou que o buraco de ozônio antártico de 2025 foi o quarto ou quinto menor desde 1992, quando começaram a ser observados os padrões severos de destruição usados como referência.
A recuperação da camada de ozônio elimina o risco dos raios UV?
Não. A radiação ultravioleta continua sendo uma ameaça à saúde, e a OMM destaca a necessidade de continuar monitorando os níveis de UV.
O que é a Emenda de Kigali?
É uma alteração do Protocolo de Montreal adotada em 2016 para reduzir gradualmente os hidrofluorcarbonos (HFCs), gases de forte potencial de aquecimento global utilizados principalmente em refrigeração e ar-condicionado.
A proteção da camada de ozônio também ajuda o clima?
Sim. O controle de substâncias que destroem o ozônio também trouxe benefícios climáticos, e a redução dos HFCs prevista pela Emenda de Kigali pode evitar uma parcela relevante do aquecimento futuro.
O problema está definitivamente resolvido?
Ainda não. A tendência é positiva, mas existem variações anuais, necessidade de monitoramento contínuo e necessidade de manter as medidas previstas nos acordos internacionais.

Deixe um comentário